Benefícios Internos do projeto nanoGateway: Contributo Socio-económico

Este artigo contempla os benefícios internos e o impacto interno de um projecto como o nanoGateway

22 Julho 2018

Antes referir o projeto nanoGateway e as vantagens que a participação nele engloba, vale a pena diagnosticar as fraquezas da área Interreg Espanha-Portugal que o nanoGateway pretende abordar.

De acordo com o Anuário do Eurostat para 2017, as regiões do POCTEP situavam-se, em 2015, no nível estatístico mais baixo para o PIB per capita em relação ao poder de compra. Isto verificou-se especialmente nos casos da Extremadura, da Andaluzia e de todas as regiões fronteiriças portuguesas, com exceção do Algarve. Além disso, as regiões POCTEP gozaram de um aumento menor do que a média da UE neste índice durante o período entre 2007 e 2015 (sendo, na verdade, esse crescimento negativo na maioria deles) e registaram taxas de desemprego elevadas. Tudo isso, apesar da alta média semanal em horário de trabalho (especialmente em Portugal), em comparação com os padrões europeus.

O paradoxo aparente é explicado pelo fato de que o Valor Agregado Bruto por hora de trabalho é bastante baixo nas regiões POCTEP comparativamente à média da UE. Em termos sucintos, a força de trabalho do POCTEP trabalha mais horas, mas é menos produtiva do que a média da UE.

Isto acontece, em grande parte, como consequência da tipologia de indústrias que predominam nas regiões do território POCTEP. A percentagem do valor acrescentado bruto total representado pela agricultura, silvicultura e pesca é relativamente elevada (especialmente na Galiza, Portugal Centro e Andaluzia). Por outro lado, a percentagem de recursos humanos da população economicamente ativa que trabalha em ciência e tecnologia é inferior à média europeia (embora a diferença seja pequena, indicando que o atraso pode ser compensado).

A solução passará por investir em atividades que: 1) são de alto valor adicionado, para combater o baixo retorno atual no valor econômico por hora de trabalho; 2) podem melhorar, e não deslocalizar, setores primários como a agricultura e pesca; 3) potenciem o aumento do poder de compra da população.

A nanotecnologia e, mais especificamente, o projeto nanoGateway (que aposta no desenvolvimento de uma estratégia para o desenvolvimento desta indústria) oferece precisamente esta resposta. Como todas as indústrias tecnologicamente avançadas, os seus produtos finais são de alto valor adicionado, assumindo a existência de um mercado para eles.

Além disso, os efeitos socialmente desestabilizadores da incorporação de novas tecnologias podem ser evitados, uma vez que a nanotecnologia não precisa abolir a atividade econômica existente, mas sim incorporar-se nela. De facto, a nanotecnologia granjeia de uma ampla aplicabilidade nos setores primários.

A título de exemplo (muitos mais poderiam ser mencionados), pode destacar-se o uso de nanopartículas para aumentar a eficiência da produção de energia solar ou o uso de nanotexturização em estruturas aquáticas, reduzindo a necessidade de limpa-las, diminuindo, assim, as despesas gerais de fábricas piscícolas.

O benefício advindo da adoção de novas tecnologias é, logicamente, tanto ou quanto maior em função do resultado da sua aplicação concreta. É neste sentido que o projeto nanoGateway se apresenta importante ator orientador da absorção desta nova tecnologia pelo ecossistema económico da área de cooperação.

nanoGateway constituirá uma associação orgânica entre representantes do setor público, investigadores, académicos e entidades comerciais (PME e grandes empresas). Contando com estes grupos, pretende ajudar a direcionar a investigação e inovação para as necessidades reais da sociedade (já amplamente articulada nos objetivos RIS3 das regiões POCTEP). São também objetivos a garantia de que a transferência de tecnologia ocorre com vista à viabilização comercial e à dinamização da economia regional.

Importa referir que a aposta na nanotecnologia resultou já em clusters economicamente bem-sucedidos em países como o Japão, onde a sua incorporação foi precisamente baseada em mecanismos orientadores semelhantes ao nanoGateway. Também o facto de ser-se um “early adopter” se reveste de importância, uma vez que pode permitir que uma região ou país projete uma imagem positiva a nível internacional – fator potencialmente decisivo para a atração de investimento e colaborações com entidades estrangeiras. Tudo isto, no entanto, merece ser analisado com mais detalhe.

VER TAMBÉM:  Porquê o projecto nanoGateway? 

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