Benefícios Externos do NanoGateway: Diplomacia Científica

O conceito está em voga: benefícios de cultivar o soft power!

22 Julho 2018

O professor de relações internacionais, Joseph Nye, define o “poder brando” como a capacidade de persuadir através da atração ou cooptação em vez da coerção.

Este conceito está em voga: o parlamento do Reino Unido criou um Comité Especial para investigar a questão, emitindo um relatório intitulado “Persuasão e Poder” no início de 2014.

Mesmo os países capazes de usar a ameaça de implantação militar, como o Reino Unido, devem recorrer ao poder suave para moldar suas relações externas, uma vez que a relação internacional não pode ser realizada apenas em termos coercivos. Para outros, o poder suave é ainda mais essencial, já que é a única carta que eles podem jogar.

Se um país ou região investe em indústrias relativamente jovens e emergentes, como a nanotecnologia, pode fortalecer o seu poder suave, adquirindo uma reputação de empreendedor (para além do benéfico impacto no nível de vida e no desempenho económico que tais tecnologias representam).

Além disso, uma vez que a nanotecnologia não desloca diversos atores económicos (como a tecnologia industrial no século XIX, reprimindo pequenas oficinas e centralizando a produção em fábricas) permite o desenvolvimento de uma economia dinâmica e criativa, capaz de encontrar uma vasta panóplia de aplicações para esta nova tecnologia.

Assim, uma região pode tornar-se internacionalmente reconhecida não só pela sua capacidade tecnológica, mas também pela sua oferta – os produtos culturalmente específicos que desenvolve a partir desta tecnologia. É provável que, em pleno século XXI, a produção em massa não seja o principal índice utilizado para medir o sucesso económico e, em todo o caso, regiões como a área de cooperação POCTEP não podem competir em termos de volume de produção nas suas exportações. A sua ênfase deve, portanto, por a tónica na qualidade e especialização: no desenvolvimento de uma marca e no poder brando.

O governo espanhol reconheceu a importância deste tipo de iniciativa, publicando um relatório sobre o tema em 2016. Neste documento recomenda-se a melhoraria da imagem internacional do país quanto à sua capacidade tecnológica e, em termos práticos, aumentar as suas exportações de alto valor adicionado, participando em iniciativas globais já existentes (relacionadas, por exemplo, com a “Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030”) e criando postos de assessoria científica desde o nível da embaixada e câmara de comércio até ao nível do chefe de governo.

Seguindo diretrizes semelhantes, a “Iniciativa de Pequenas Economias Avançadas” (que inclui, entre outros países, Nova Zelândia, Singapura e Suíça) é uma plataforma criada para que os seus membros combinem recursos, aproveitem economias de escala e invistam em projetos e tecnologias capazes de melhorar o desempenho dos setores dominantes nas suas economias, permitindo que a comunidade internacional compartilhe os benefícios de tais avanços. Isto manifesta o princípio do “enlightened self interest” segundo o qual a política externa deve ser realizada de forma a beneficiar o país que a realiza e a comunidade internacional em conjunto. É também uma forma de desenvolver poder brando.

As regiões POCTEP podem usar as iniciativas referidas como um modelo. Na verdade, a plataforma nanoGateway pode ser concebida como um projeto similar à Iniciativa de Pequenas Economias Avançadas, mas a nível regional e em estreita coordenação com a política nacional e europeia.

VER TAMBÉM: Benefícios Internos do nanoGateway

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